Em Morrinhos jovem xingado de 'preto fedido' em rede social diz que teme agressor.
- Estadão Goiano
- 12 de mai. de 2017
- 2 min de leitura

O frentista Kaisson Stêfany Rodrigues Paiva, de 26 anos, que denunciou um colega, de 24 anos, por injúria racial, relatou que se sentiu muito ofendido e ameaçado com as frases ditas pelo rapaz, em Morrinhos, no sul goiano. A vítima, que foi xingada e chamada de "preto fedido", contou ainda que não retrucou aos xingamentos, ao contrário do que afirmou a defesa do suspeito de ser o autor da injúria.
O jovem, cuja identidade não foi revelada, foi detido na quarta-feira (10) e liberado após pagamento de fiança. O delegado responsável pelo caso, Fabiano Jacomelis, havia dito que o detido é investigado por chamar a vítima de com nomes racistas e até fazer comparações com um macaco.
Conforme o frentista, após as ofensas de cunho racial, o colega chegou a dizer que “de tarde, de todo jeito esse assunto acaba”, o que deixou a vítima apreensiva. “Isso foi uma ameaça. A gente fica com receio. Não sei do que ele é capaz, o que ele pode fazer. Aqui é uma cidade pequena, no meu trabalho a gente fica exposto na rua, é perigoso”, pontuou.
A vítima relatou como a confusão começou na rede social. “Eu só postei uma foto dele com a camisa do clube e coloquei um emoji com a mão no rosto, querendo dizer ‘esse time não’, porque ele ganhou do meu time um tempo atrás. Então ele começou a mandar os áudios, um atrás do outro. Na hora eu fiquei em choque porque ele pega bem pesado”, relatou.
O frentista ressaltou que nunca foi amigo do investigado. Conforme Paiva, eles se conhecem porque já jogaram futebol juntos, mas não têm nenhuma relação de intimidade. A vítima relatou ainda que já sofreu com situações parecidas na infância e que denunciou por acreditar que esse tipo de comportamento não deve ser aceito.
“Não somos amigos, somos conhecidos de campo. Sofri muito com injuria e racismo na infância, é ruim. Por isso que eu quis passar adiante. Muita gente sofre calado, não sabe que pode procurar alguém para conversar, para falar”, pontou.
DEFESA
Ainda conforme o delegado, ao ser abordado por policiais civis, o suspeito alegou que estava de cabeça quente e se arrependeu. Se for condenado, ele pode ficar preso por até quatro anos, já que as ofensas ocorreram em meio a várias pessoas.
O advogado do detido, Robson Neves Canedo, informou que o suspeito também é negro e que conhece a vítima há anos. Ele afirmou que a conversa ocorreu por causa da intimidade entre os dois.
“O acusado e a suposta vítima fazem parte de um grupo de Whatsapp criado entre jogadores de futebol amadores e são amigos desde a infância. Tais áudios foram gravados em decorrência da liberdade que ambos possuíam um com o outro, haja vista o tempo de amizade”, afirmou.
O defensor ressaltou que “as agressões verbais foram recíprocas, haja vista, em outra oportunidade, o acusado também ter sido vítima de ofensas por parte do amigo”, pontuou.

FONTE: G1, GLOBO.








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