Avião que caiu em Goiânia e deixou bebê morto só poderia transportar piloto e mais uma pessoa, diz A
- Estadão Goiano
- 14 de ago. de 2018
- 3 min de leitura

A aeronave de prefixo PU-EFG que caiu sobre uma casa em Goiânia deixando um bebê morto e dois adultos feridos só poderia levar o piloto e mais um passageiro, segundo informou a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O órgão disse ainda que “se forem constatadas irregularidades, o piloto e operador responsável podem responder administrativamente e no âmbito criminal”.
O acidente aconteceu na tarde de sábado (11), no Setor Jardim Vista Bela, em Goiânia. O avião caiu sobre o telhado de uma casa e parou sobre o muro que a divide com outro imóvel.
A Anac também informou que o avião é experimental - quando é construído de forma amadora e atende a regras diferentes das utilizadas na aviação comercial - e estava em situação regular. Segundo o órgão, essas aeronaves são “caracterizadas por não serem submetidas a uma longa campanha de testes exaustivos, portanto, devem expor poucas pessoas ao risco e somente aquelas inerentes ao projeto”.
Ainda conforme a agência, essas aeronaves devem voar “sob áreas pouco povoadas, ou em alguns casos específicos, em áreas completamente isoladas”. O órgão disse ainda que, para voar regularmente, o avião experimental precisa apresentar Certificado de Autorização de Voo Experimental (Cave) e Inspeção Anual de Manutenção (IAM).
Morte de bebê e feridos
O bebê que estava a bordo da aeronave, Davi Andrade do Amaral, de 1 ano, foi socorrido por moradores da região, mas acabou morrendo. Pai dele, o mecânico de aviões Reginaldo Ernane do Amaral, e o empresário Nehru El-Aouar, de 59 anos, que pilotava o avião, ficaram feridos e estão internados no Hospital de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), em Goiânia.
Na manhã desta segunda-feira (13), a filha do piloto, a administradora Cemya Veiga El-Aouar, de 31 anos, disse que o pai estava internado em estado grave e Reinaldo em situação considerada regular.
A própria Ceyma disse que registrou na polícia a ocorrência da morte de Davi, uma vez que a mãe da criança não estava em condições de fazer o procedimento. O corpo dele foi sepultado no domingo (12).
Investigação
A Polícia Civil informou que foi instaurado inquérito para investigar a queda do avião na 21ª DP, mas que "vai encaminhar os documentos acerca da queda do avião à Polícia Federal". Segundo a corporação, o delegado Anderson Pelágio, que estava responsável pelo caso, "deve oficiar a PF por entender que o caso se enquadra em uma das hipóteses de competência da Justiça Federal".
Em relação à investigação do acidente, a Força Aérea Brasileira (FAB) informou, neste domingo, que uma equipe do Sexto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA VI) se deslocou para a capital goiana nesta manhã para iniciar a apuração.
De acordo com o órgão, neste momento as atividades visam coletar dados: fotografar cenas, retirar partes da aeronave para análise, reunir documentos e ouvir relatos de pessoas que possam ter observado a sequência de eventos. "A investigação realizada pelo Cenipa tem o objetivo de prevenir que novos acidentes com as mesmas características ocorram", afirma a nota.
Testemunha
Vizinha da casa em que um avião caiu, a estudante Geovanna Batista Rocha, de 18 anos, conta que a queda provocou um barulho muito alto e que a situação foi de pânico.
“Foi desesperador, principalmente quando vimos a criança que estava dentro do avião. O pai da criança a entregou para os moradores para que pudessem salvá-la. Ela estava muito machucada”, disse.
De acordo com Geovanna, pelo menos sete crianças viram a queda do avião, pois brincavam em um campinho de futebol em frente ao local. A jovem contou que não havia ninguém no imóvel no momento da queda. Por isto, vizinhos pularam o muro.








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